segunda-feira, 26 de março de 2012

 Memórias da minha infância
        
Eu, minha mãe (nosso exemplo), Giselle
e Mônica


      Falar da minha infância é falar de saudade. Saudade de um tempo muito bom, que infelizmente não volta mais, pois o tempo passou e com ele chegaram muitas cobranças e responsabilidades, mas a vida é assim mesmo. 
       Lembro-me muito bem das brincadeiras no fim de tarde, em frente a nossa casa. Meu irmão Bruno ainda não havia nascido e eu e minhas irmãs, Mônica e Giselle nos juntávamos com a turma para pular amarelinha, jogar queimado, pique bandeira e esconde-esconde. Essas eram nossas brincadeira preferidas. De vez em quando a gente se estranhava, mas logo ficávamos de bem. Coisas de criança.
      Eu era a mais velha das irmãs e achava que mandava nelas, isso rende até hoje protestos por parte delas e boas histórias, pois sempre que nos reunimos elas contam isso aos seus filhos.
     Por ser a mais velha, as vezes não participava das brincadeiras que elas inventavam, isso porque me sentia muito "adulta" para brincar com elas (coisas de irmãos mais velhos), porém me divertia muito assistindo o circo da família Gomes, um circo que na imaginação delas um dia seria famoso. É claro que as donas, apresentadoras e artistas desse circo eram elas mesmas.
      Nesse circo, minhas irmãs subiam nas goiabeiras do quintal e fingiam ser equilibristas, pintavam o rosto e imaginavam ser palhaças. Era muito bom!
      O crico tinha um público não muito grande, mas para elas era o suficiente para fazer a maior farra. O quintal ficava cheio com a criançada lá da rua e minhas irmãs tinham até fãs, a Tatiane e o Thiago. Eles não perdiam os "espetáculos" por nada nesse mundo. Nós nos divertíamos muito. Era uma bagunça só.
      Pela manhã bem cedinho nós íamos para a escola, eu não gostava de faltar um dia se quer, amava minhas professoras e até hoje não esqueço o nome delas, professoras Eliane e Isabel. Elas eram as minhas preferidas, pois tinham um jeito todo especial de dar aulas. Para mim eram as mais lindas de toda a escola e eu queria ser como elas.
      O que mais me lembro dessa fase escolar eram as brincadeiras de roda, das aulas em que tínhamos que desenhar e as historinhas que elas contavam. Eu sempre me imaginava como as princesas da história, tudo era mágico, eu viajava sem sair do lugar, pois quando somos criança não precisamos de muita coisa para sermos felizes, a imaginação nos basta.
      É maravilhoso o modo como muitas coisas boas vieram a minha lembrança, inclusive os valores e princípios que a nossa mãe nos ensinava. Valores esses que nos acompanham até hoje e são eles que não nos deixam esquecer o quanto minha mãe lutava para nos criar sozinha. Essas lembranças me fizeram entender que preciso pôr em prática algumas coisas que as vezes ficam só na teoria. Por exemplo, a correria da vida não pode nos fazer esquecer do bem mais precioso que existe que é a nossa família. As lutas para alcançar os nossos objetivos não podem tirar de nós o desejo de estarmos juntos e as vitórias que alcançamos não podem nos fazer esquecer as nossas origens e os nossos valores.
      Ao escrever esse texto me deu vontade de voltar ao passado, onde cada cheiro, cada canção, cada brincadeira, todos os amigos, tudo era muito especial. Percebi que quando somos criança podemos ser e ter o que a gente quer, pode estar e ir aonde a imaginação nos levar.
    Ser crianças é transformar um lençol em picadeiro, uma simples goiabeira em trapézio. Ser criança é acreditar que a maquiagem da mãe é pintura de palhaço. Qualquer coisa é motivo para sorrir e festejar.
  Quando somos criança, não temos medo de dizer que não gostamos de alguma coisa, mas também não hesitamos em dizer que gostamos. Não guardamos mágoa nem escondemos os nossos  sentimentos. Não dizemos que amamos quando na verdade não amamos. Quando queremos chorar, simplesmente choramos e se fazemos algo de errado não é por querer e sim porque ninguém ainda nos mostrou o que é certo. Queria voltar a ter essa essência e tornar-me criança outra vez.
  É uma pena que tenhamos que crescer, porque quando crescemos nos esquecemos de detalhes tão pequenos, mas não menos importante, que podem se comparar a tijolinhos que servem para construir quem somos. Quero tornar-me criança outra vez. 
       

Minha irmã Giselle, 
meu pai, eu e minha irmã Mônica.  


 Minha irmã Mônica e eu.

Nessa foto: Eu, minhas irmãs, meu irmão Bruno, minha mãe  e meus sobrinhos.
Família, Amo vocês.
       
      

4 comentários:

  1. Que fofinha! Vc tinha uma cara de dengosa!!

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  2. Eu era extremamente tímida. Hoje acho que melhorei um pouquinho.

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  3. Anailza, que história comovente! Você escreve de forma muito gostosa e, claro, é revigorante voltar no tempo e rever nossa própria história. Isso ajuda a repensarmos muito o que fizemos e muito do que somos! Parabéns!
    Ivan

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    1. Obrigada Prof, sempre gostei de escrever, mas as vezes sentia-me constrangida a fazer isso,mas essa disciplina me mostrou que eu posso! E que ainda tenho muito a aprender.
      Apesar de tantos contra-tempos esse semestre foi muito bom. Foi um prazer tê-lo como professor.

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